Conectividade é desafio gigantesco para o agro, afirma presidente da Embrapa

R$61,85 bilhões em lucro social: em 2020, para cada R$1 aplicado na Embrapa, a empresa devolveu R$17,77 para a sociedade brasileira, contribuindo para a geração de 41.475 empregos diretos

O agronegócio brasileiro é um dos maiores setores da economia e teve um crescimento recorde de 24,31% no PIB do último ano, além de responder por um terço dos novos empregos no Brasil. A Embrapa, que completou 48 anos recentemente, tem grande contribuição para este cenário: A Empresa publica anualmente o chamado Balanço Social que mostrou, em 2020, a geração de R$61,85 bilhões em lucro social, ou seja, para cada R$1 aplicado na Embrapa, a Empresa devolveu R$17,77 para a sociedade brasileira, contribuindo para a geração de 41.475 empregos diretos.

Os dados foram apresentados pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, no 7º Encontro Nacional do Ecossistema Brasil 5.0 em Ação, realizado nesta semana. Ele destacou que, apesar dos bons resultados, o agro brasileiro tem um longo caminho a percorrer. Em sua visão, o Brasil tem um conjunto de desafios sociais, econômicos, científicos e tecnológicos a vencer, como a necessidade da redução do custo das tecnológicas digitais. “A agricultura digital avançou muito. Hoje, mais de 84% dos produtores utilizam pelo menos uma tecnologia digital, mas só 30% das propriedades rurais estão conectadas à internet. Há um descompasso e esse é um desafio gigantesco para o nosso setor”, afirmou o presidente da Embrapa.

Celso Moretti, convidado para o painel “Contribuições do Agro na Economia Digital”, afirmou que o país deve buscar soluções que visem a expansão da conectividade: “não podemos continuar pensando em expandir o agro e desenvolver tecnologias de base digital se continuarmos com essa limitação brutal de conectividade. Existem propriedades onde há sinal internet apenas na casa sede e não em toda extensão da propriedade, por exemplo. Precisamos de soluções para derrubar a barreira da restrição de conexão para que o agro tenha todo o potencial que precisa no Brasil”, defendeu.

Participante do primeiro dia de evento, Moretti apresentou a evolução da transformação digital na cadeia do agro e o impacto dessa evolução no crescimento do PIB brasileiro, alinhado à agenda ESG (Environmental, Social and Governance – em português: Governança Corporativa, Ambiental e Social) da Embrapa. “Somos uma Empresa de inovação tecnológica focada na geração de conhecimentos, tecnologias e soluções para a agropecuária brasileira. O negócio da Embrapa é prover soluções para os problemas do agro brasileiro”, destacou.

A Embrapa, que, segundo Moretti, tem a missão de viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira, tem a agenda ESG como peça central no desenvolvimento de soluções. “A sustentabilidade está no DNA da nossa Empresa. Desde o início trabalhamos de forma muito focada, vinculando nossa agenda aos objetivos do desenvolvimento sustentável, e a transformação digital está na base desse desenvolvimento recente do agro brasileiro”, confirmou.

A expectativa até 2030, conforme o presidente Moretti, é que as transformações digitais, junto à bioinformática e à biotecnologia, promovam ainda mais avanços para impactar as diversas áreas da produção animal e vegetal, resultando em produtos mais sustentáveis, com melhor qualidade nutricional e segurança. E a Empresa tem promovido um avanço muito forte no que diz respeito a transformação digital no campo. “A maioria dos nossos 43 centros de pesquisa está atuando em inovações voltadas para soluções digitais, na pré-produção, produção e pós-produção da agricultura. Não tenho dúvidas que o Brasil, até 2030, será um dos maiores protagonistas na produção de alimentos, fibras e bioenergia, avançando também nas questões de agricultura de baixo carbono”, declarou.

Celso Moretti também apresentou exemplos de soluções da Embrapa na agricultura digital: aplicativos para informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que permite que o produtor brasileiro saiba o que, quando e onde plantar com segurança; análise e gerenciamento de dados de sequenciamento biológico de grande volume; plataforma tecnológica sobre os solos brasileiros, o PronaSolos; uso de drones e veículos aéreos não tripulados para contagem de plantas e gado; e o desenvolvimento de ferramentas digitais para valoração ESG.

Outro exemplo de solução tecnológica mencionada pelo presidente foi o Radar Agtech, uma parceria da Embrapa com SP Ventures e a Homo Ludens Research & Consulting . Trata-se de um mapeamento das startups do agro brasileiro e a principal fonte de informações para quem quer conhecer o segmento. O levantamento feito pelo Radar entre 2019 e 2021 apontou um crescimento de 40% de startups voltadas para o agro no Nordeste. “Se tem uma agricultura no mundo que está bem aparelhada, do pronto de vista tecnológico, é a agricultura brasileira. Tudo isso não seria possível se não tivéssemos todo um aparato de ferramentas de transformações digitais vinculado a essa realidade”, disse Moretti.

O evento online foi realizado pelo Instituto MicroPower para Transformação Digital e contou com a presença do diretor de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, Luiz Reis; do Major-Brigadeiro do Ar, Luiz Ricardo, Conselheiro do Brasil 5.0; e outros representantes do Instituto. “É uma satisfação participar de um evento tão importante e relevante para a transformação digital global e poder compartilhar um pouco do que fazemos”, afirmou o presidente da Embrapa.

Fonte: Notícias Agrícolas – Foto: CPQD